Fundo mais fundo e não consegues olhar sequer para cima. Onde estão as luzes? E cais. Cais sem querer e voluntariamente, cais e escorregas e arrastas as chagas pelas bordas do abismo, dói dói dói. Tens tanto medo. Cais mais e mais e perguntas-te se alguém vê. Ou se importa, sequer. Se não escreveres com as lágrimas que gastas, não vale a pena. Cais e não sabes se não é mais que uma ilusão, se só não vês a saída porque não queres. Talvez a teimosia esteja entranhada no teu subconsciente como em ti. Talvez te falte um final abrupto para acordares de um pesadelo que criaste. Cais, e que queda, chamas pelo fundo, anda, depressa, não quero cair mais, mas é uma espiral entontecedora e o fundo não chega. Fica o medo dentro de ti, esse terror que te avassala de quando em quando, que nem contigo sabes viver. Vá! Chega! Guarda tudo e pronto, acabou, a queda continua, a descida não acaba, mas o dia de amanhã pode trazer o fim e nem sabes por que razão te sentes assim. Shhh, já chega, deita cá para fora depressa, rápido, sê célere, está na hora de seres alegre por mais um pouco.

Está quase na hora de deitar e aí não cais, não desces, não nada, sonhas, e que sonhos. Enquanto dormes não vives, não cais.

grito x – da queda do ser.

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