É um grito. Um grito que guardo na garganta, apertado, que me desce até ao peito, e não sei que fazer dele. Não sei como o deitar fora, se ainda não o gastei, e para dentro não vai ele. Um grito com quantas palavras tem a dor em que me deito, confortável com esta lancinante constância. Não vou esperar, que isso mais me cansa e mais me dói, e não quero disso. Fico neste vazio insolvente, que fico melhor. O resto… Se há um resto, que fique lá fora, batendo à porta fechada com punhos que não oiço. Vou fechar todas as portas, que portas abertas são chamadas ao sofrimento. O silêncio dorido da minha mente que me embale até ao sono que espero, e talvez o grito se vá em sonhos.

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