Foi assim, foi um repente que te beijou e nem sabes o que lhe chamar. Que importa, realmente, se há-de escorrer? Mas escrever como escreves, agora, faltou-te, confessa, que eu bem sei. Conta-me, a que te sabem as viagens, aquelas que te embalam em tantos pensamentos que nem os contas, que te faltariam os dedos e para lá disso. Serenas de corpo com solavancos na alma (seja pois ela o que for!), preencher o tempo com o tempo é tarefa árdua e talvez morosa, por sinal, sinais que às vezes são mais que os que queres ou ousas revelar. E então o melhor é o teu cantinho, que cantinho, tão teu e recheado de solidão auto-induzida. Se lhe queres tocar, é uma distância tão justa quanto outra. Que te abala tanto nos teus alicerces desequilibrados? Tortos por natureza, torta és tu, idiota sem ideias que não compreende. Como o faria? O que já foi assalta-te à mão armada de memórias e deixa-te caída e prostrada dentro de ti, vendo o mundo por olhos embaciados e soluçados.

Roleta russa que te fazes, que emoção te vai sair hoje! Está chuva então, venha daí a regularidade plena que te sorri, sorri-lhe também! Ou então, pois que existem nuvens para cobrir o céu enquanto estás a mais e não vale a pena sentir, o melhor é excluíres-te, que hoje deixa de fazer sentido viver como se sim, valesse a pena. Imbecil, que todos os dias valem a pena, que cansaço, mas não estou cansada, estou com sono, é um cansaço diferente. Desgaste das peças que te engrenam a vida, que perdes todas as horas mais do que são esses momentos que deverias aproveitar. É crueldade, não é?, não crês?, sonhar assim sem esperar acordar ou a reminiscência no sonho do sonho, porque seria mais fácil despertar. Arrepios, que os pesadelos talvez existam para te mostrar que dormires para sempre (ou para o sempre deste dia) não é opção. Se acordar te custa, não é decerto o acordar de manhã para o silêncio que é tão teu, porque tu afastas, tu e apenas tu, com as tuas músicas ouvidas e cantadas, que interessa, a escolha é tua. E os tons do mundo por essas alturas, que te despertam uma melancolia que, por vezes, chega a consolar-te e a aquecer-te o peito dorido da respiração forçada.

Encontra ânimo, vamos! Contradizes-te tanto, pareces a “Mesma” e a “Outra” numa polaridade quase fascinante, fosse ela menos traumática para ti própria. Talvez seja assim para todos, pensas, então, enquanto te escapas, momentos breves, do egocentrismo (pudesse ele faltar!), mas então decides que se fosse assim para todos seria bem estranho e para estranho já chegas tu. Ou assim queres pensar.

canção x – do regresso atrasado do ser.

Anúncios