Que cansaço este. Dormir quatro horas não chega nem para tocar o repouso, roçá-lo e tomá-lo como meu. Quatro horas não bastam para afastar a apatia maldita ou os efémeros estados de espírito inconstantes, ou para impedir a melancolia quando o sol bate na fronte e amachuca os pensamentos. Não tarda e desfaleço, não por fora mas por dentro, que é tão difícil suster-me, agora, tão difícil que cada queda parece anunciada e de cada vez que tropeço é quase exaustivo o fardo que me puxa para baixo e me ancora — ao fundo.

Talvez possa imaginar ou fingir imaginar que não sou eu que caio, não sou eu que canso, não sou eu que me exauro, mas duram apenas as caminhadas entre o aqui e o ali e nunca é mais do que esse momento em que tento ocupar a cabeça com músicas, mas de quando em quando começam elas a falhar e nem elas me salvam. Restam as histórias que faço mas que não deslindo, que se perdem sem rumo porque não o tenho para lhes dar.

E chego a casa na solidão fresca que ultrapassa a soleira da porta comigo, entramos eu e ela lado a lado, conhecidas, amigas, amantes, exauridas porque não há mais a fazer se não consolarmo-nos; antes isso que magoar mais quem bem nos quer. Descansa antes que te rebeles contra ti.

, é demasiado, demasiado, estou cansada, tão cansada.

canção iii – da exaustão do ser.

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