Suspiro.
Já bastou o tempo que gastei. Se me escrever a mim perco menos do que sou (se conseguir definir tal inconstância). De todas as vezes que estou contigo descrevo simplesmente rastos por mim mesma, e entretanto já me perdi e não sei quem sou, ou se é para ti ou para outrem que escrevo. Por muito simples ou fugidia que seja a decisão (apelidada talvez de solução), é um improviso que me forço por saber que me fará bem.

No outro dia despedacei-me. Não sei como foi, foi tão súbito e brusco que mal me apercebi do que acontecera. Se to explicasse talvez percebesses, tu que sabes tudo, mas não vale a pena porque não quero entender. Compreender dá demasiado trabalho e custa mais do que viver nesta ignorância sadia. Apenas os que conhecem sofrem. A verdade pode servir para muita coisa, mas a mim nunca serviu para atenuar as mágoas. Para isso uso lenços de papel.

Bem, e que sabes tu então do que te quero dizer? Nada, provavelmente, nunca ouviste a minha voz profunda que partilhamos. Às vezes fico na dúvida, somos dois ou um apenas? Penso na minha leviandade a falar do que não sei e é tão vão tudo isto que parece irrelevante estar ou ser, ou o invés.

canção i – da irrelevância inconstante do ser.

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